Embriagada de sol e mar, com a pele ardente de sensibilidade sutil, desejava o seu toque (e só o seu). Deitada na minha cama em meu quarto, queria suas mãos acariciando minha pele, essa fronteira que existe entre eu e você, entre meu interior e o mundo. Desejava só a sua pele forte, fria, calma... Para ser o equilíbrio do contato: a chama e a gota d’água. Essa energia masculina que acende e tranquiliza
Mas então fui buscar essa água no vento da noite, em outros corpos, em outras peles, em suores, em dança. Dançava tanto que derretia, todos derretíamos, e eu via pedaços nossos pelo chão e me preparava para o próximo estado: ser vapor. Pairar no ar, ser levada pelo vento, transformar-me finalmente em água em estado gasoso. E o desejo, de onde vem? Ah, esse desejo contido que nunca se satisfaz. Vai se satisfazer um dia? O que esperar do outro, esse templo misterioso, fechado em si mesmo? Conseguirei ser eu no outro? Ou estarei sempre assim, nadando e morrendo nas praias do outro, porque ser livre, bonita e simples é pra poucos, pra ninguém, pra mim? Só isso: olhar, ver brilho, querer estar mais perto... Há algo de complicado nisso? Há esse mistério impenetrável dentro de cada um de nós. E se a gente deixasse de ser cada um e se permitisse ser todo mundo? Vai chegar o momento de transformar-nos em ar? Não posso esperar; será como 'rising', será como silenciar e esquecer daqueles limites e ser plenamente livre e simples e transparente.
Queria ser assim agora, mas por que tenho que estar aqui, na frente do computador, no meu quarto, fresquinha, de banho tomado, escrevendo para mim? Por que logo agora, tão cheia de desejo contido, tenho que ser eu e só eu, sozinha no meu quarto, como tantas vezes, escutando Lhasa que só faz crescer meu desejo, e por que tenho que ser só? Agora como antes, como sempre. Será uma prova pela qual tenho que passar? Será essa coisa do destino? Será o complicado de ser eu e de que do outro lado da fronteira estão as outras pessoas, que não são eu e não necessariamente querem o mesmo que eu, e como aceitar isso? Como admitir que o que quero não será necessariamente o que desejo? Como ceder diante da pressão de ser um só e não poder ser outros? É só criar coragem, perguntar o nome, pedir o telefone? É uma oportunidade que a gente deixa passar, mas com o conforto do “amanhã”. Eu lá quero saber de amanhã, de ano novo, de outro lugar que não seja o aqui e o agora! Eu quero é agora, e às vezes quero mesmo é pra ontem, e essa ansiedade me mata e eu tenho que controlá-la.
“Equilíbrio” pode até ser essa palavra que já saiu de moda, não deve ser usada, talvez exista mesmo um novo movimento que rejeita o velho. Mas é o que busco, e quando não busco tanto, quando é mais a busca da liberdade plena porque naquele momento é ela que o meu corpo tá pedindo, aquele mesmo corpo que dança, sua, sente, quer também sentir outros corpos, quantos sejam, sem medo, sem pudor, sem vergonha, sem medo! Escutou? Sem medo. Dá vontade de gritar: sem medo! Quanto desejo, e penso “que desperdício”, e depois me pergunto se desperdiça mesmo.
Quanto desejo por tudo o que é vivo e que sente desejo também, assim como eu. A energia masculina, esse mistério ancestral, esse ser homem que nunca serei e nunca saberei, nunca conhecerei, e isso é o mais incrível em olhar um homem, tão forte em seu “ser árvore-homem”. Vontade de me aproximar! Até onde? Seja aquele negro cheio de arte, aquele índio percussionista, aquele amor exalando o rock leve que penetra em cada poro da minha pele. A energia feminina, essa semelhança cúmplice, essa descoberta tão recente e libertadora, de se ver na outra completa e intensamente. Mas agora não é nada disso, sou só eu no meu escrever, não digo pensar porque nem penso, só escrevo o que sai por todo o meu corpo e eu consigo recolher, juntar, formar palavra, frase, digitar. E o espanhol me entra como música, como história que não vai embora, por que não? Perguntar demais é o meu mal. Vou dormir. Aliás, chove...
E como não falar dessa chuva depois de tanto calor. Será para acalmar? Mas eu quero acalmar? Se não quisesse, não teria feito um chá de camomila. Camomila, não outro. O que eu estou buscando afinal? Sei que buscar no outro é sempre uma armadilha, é sempre um terminar sozinho, uma sutil decepção, porque ainda não aprendi a buscar no outro sem esperar, sem controlar, mas o outro é incontrolável, nós somos incontroláveis, controlar é uma energia desperdiçada. Como aquele último suspiro antes de se entregar, desistir, abrir os braços e mergulhar no abismo, e ser condor, e ser aquele homem que pulou no rio aquele dia e foi condor, e eu quis ser ele e condor também. Mas por que eu, sabendo que buscar no outro é armadilha, continuo buscando o outro, a resposta tá no outro, que outro? Por que continuo buscando no outro aquilo que não consigo encontrar em lugar algum? Por que continuar buscando? Será o lance da utopia, que serve para caminhar?
Existe algo maior que tudo isso, e no final das contas é muito menor que tudo, que é o desejo, e que de vez em quando lateja, me lembra que existe e está aqui dentro, me agarra o sexo, me pede toque no peito, me arde imensamente num fogo eterno que não consome nada, só o meu juízo.
Mas então fui buscar essa água no vento da noite, em outros corpos, em outras peles, em suores, em dança. Dançava tanto que derretia, todos derretíamos, e eu via pedaços nossos pelo chão e me preparava para o próximo estado: ser vapor. Pairar no ar, ser levada pelo vento, transformar-me finalmente em água em estado gasoso. E o desejo, de onde vem? Ah, esse desejo contido que nunca se satisfaz. Vai se satisfazer um dia? O que esperar do outro, esse templo misterioso, fechado em si mesmo? Conseguirei ser eu no outro? Ou estarei sempre assim, nadando e morrendo nas praias do outro, porque ser livre, bonita e simples é pra poucos, pra ninguém, pra mim? Só isso: olhar, ver brilho, querer estar mais perto... Há algo de complicado nisso? Há esse mistério impenetrável dentro de cada um de nós. E se a gente deixasse de ser cada um e se permitisse ser todo mundo? Vai chegar o momento de transformar-nos em ar? Não posso esperar; será como 'rising', será como silenciar e esquecer daqueles limites e ser plenamente livre e simples e transparente.
Queria ser assim agora, mas por que tenho que estar aqui, na frente do computador, no meu quarto, fresquinha, de banho tomado, escrevendo para mim? Por que logo agora, tão cheia de desejo contido, tenho que ser eu e só eu, sozinha no meu quarto, como tantas vezes, escutando Lhasa que só faz crescer meu desejo, e por que tenho que ser só? Agora como antes, como sempre. Será uma prova pela qual tenho que passar? Será essa coisa do destino? Será o complicado de ser eu e de que do outro lado da fronteira estão as outras pessoas, que não são eu e não necessariamente querem o mesmo que eu, e como aceitar isso? Como admitir que o que quero não será necessariamente o que desejo? Como ceder diante da pressão de ser um só e não poder ser outros? É só criar coragem, perguntar o nome, pedir o telefone? É uma oportunidade que a gente deixa passar, mas com o conforto do “amanhã”. Eu lá quero saber de amanhã, de ano novo, de outro lugar que não seja o aqui e o agora! Eu quero é agora, e às vezes quero mesmo é pra ontem, e essa ansiedade me mata e eu tenho que controlá-la.
“Equilíbrio” pode até ser essa palavra que já saiu de moda, não deve ser usada, talvez exista mesmo um novo movimento que rejeita o velho. Mas é o que busco, e quando não busco tanto, quando é mais a busca da liberdade plena porque naquele momento é ela que o meu corpo tá pedindo, aquele mesmo corpo que dança, sua, sente, quer também sentir outros corpos, quantos sejam, sem medo, sem pudor, sem vergonha, sem medo! Escutou? Sem medo. Dá vontade de gritar: sem medo! Quanto desejo, e penso “que desperdício”, e depois me pergunto se desperdiça mesmo.
Quanto desejo por tudo o que é vivo e que sente desejo também, assim como eu. A energia masculina, esse mistério ancestral, esse ser homem que nunca serei e nunca saberei, nunca conhecerei, e isso é o mais incrível em olhar um homem, tão forte em seu “ser árvore-homem”. Vontade de me aproximar! Até onde? Seja aquele negro cheio de arte, aquele índio percussionista, aquele amor exalando o rock leve que penetra em cada poro da minha pele. A energia feminina, essa semelhança cúmplice, essa descoberta tão recente e libertadora, de se ver na outra completa e intensamente. Mas agora não é nada disso, sou só eu no meu escrever, não digo pensar porque nem penso, só escrevo o que sai por todo o meu corpo e eu consigo recolher, juntar, formar palavra, frase, digitar. E o espanhol me entra como música, como história que não vai embora, por que não? Perguntar demais é o meu mal. Vou dormir. Aliás, chove...
E como não falar dessa chuva depois de tanto calor. Será para acalmar? Mas eu quero acalmar? Se não quisesse, não teria feito um chá de camomila. Camomila, não outro. O que eu estou buscando afinal? Sei que buscar no outro é sempre uma armadilha, é sempre um terminar sozinho, uma sutil decepção, porque ainda não aprendi a buscar no outro sem esperar, sem controlar, mas o outro é incontrolável, nós somos incontroláveis, controlar é uma energia desperdiçada. Como aquele último suspiro antes de se entregar, desistir, abrir os braços e mergulhar no abismo, e ser condor, e ser aquele homem que pulou no rio aquele dia e foi condor, e eu quis ser ele e condor também. Mas por que eu, sabendo que buscar no outro é armadilha, continuo buscando o outro, a resposta tá no outro, que outro? Por que continuo buscando no outro aquilo que não consigo encontrar em lugar algum? Por que continuar buscando? Será o lance da utopia, que serve para caminhar?
Existe algo maior que tudo isso, e no final das contas é muito menor que tudo, que é o desejo, e que de vez em quando lateja, me lembra que existe e está aqui dentro, me agarra o sexo, me pede toque no peito, me arde imensamente num fogo eterno que não consome nada, só o meu juízo.
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